RCC: Movmento ou Graça.

A RENOVAÇÃO CARISMÁTICA CATÓLICA

A Igreja se sustenta sobre duas colunas: Igreja Institucional e Igreja Carismática. A Renovação Carismática surge da dimensão carismática da Igreja o que significa dizer que ele é um sopro do Espírito, ninguém planejou criar a RCC, ninguém desejou senão o próprio Espírito Santo. “A Renovação é uma oportunidade para toda a Igreja”(Paulo VI, 1973).

A melhor maneira de falar de alguma coisa é dizer o que ela não é para evitar os equívocos. Sendo assim para falar o que é a Renovação Carismática talvez seja melhor começar falando o que ela NÃO é:

  • Não é um movimento da Igreja que possa ser colocado ao lado dos outros movimentos(C.Suenens). Essa compreensão é unânime em todos aqueles que viveram esta experiência em seus primórdios e ainda hoje, com várias exceções.
  • Ela não tem um fundador único ou um grupo de fundadores.
  • Não tem um coordenador com poder de governo, mas de comunhão.
  • Não tem lista de membros;
  • Abriga uma grande variedade de indivíduos, grupos e atividades: comunidades de vida e aliança, grupo de oração, grupo de partilha, ministérios, paróquias renovadas;

A Renovação é uma corrente de graça para toda a Igreja Católica, não é um movimento da Igreja, mas a própria Igreja em movimento (Suenens).

A RCC surge do desejo do próprio Senhor Jesus que desde o final do século XIX vem inspirando os seus filhos. No ano de 1895 uma freirinha italiana, chamada Elena Guerra, vinha recebendo revelações de que Deus queria que a experiência do Espírito Santo voltasse a ser plena na Igreja. Ela escreveu várias cartas ao Papa Leão XIII, pedindo pela pregação permanente do Espírito Santo. Atendendo ao apelo de Deus através da freira o Papa Leão XIII publicou duas encíclicas incentivando uma maior devoção e abertura ao Espírito de Deus, porém os católicos não se deixaram tocar por essa mensagem. Em primeiro de Janeiro de 1901 (01/01/1901), o Papa Leão XIII faz a seguinte oração: “Veni, Creator Spiritus”, era uma profecia para o século que se iniciava. Porém o Espírito sopra onde quer e se dá aqueles que o desejam e o buscam. Diante da resistências dos cristãos católicos, pois a experiência católica ainda era muito conservadora, quem se abre a esta renovação são os irmãos de outras denominações cristãs. Nas igrejas evangélicas são vários os relatos de experiências de batismo no Espírito Santo.

No ano de 1961 ocorre um fato transformador na Igreja, o Papa Alegre: João XXIII, convoca o Concílio Vaticano II, que renova toda a Igreja: a missa passa a ser em língua local, não mais em latim; o padre não celebra mais de costas para os fiéis-irmãos; a Bíblia é estimulada para que todos a leiam e a possuam; os leigos adquirem maior espaço de participação e comunhão.

A oração inicial que abre o Concílio, feita pelo próprio Papa foi: “renovai Senhor, nos dias de hoje as mesmas graças abundantes de pentecostes”. Durante o Concílio realizam-se diversos debates sobre a ação do Espírito Santo. Alguns Cardeais diziam que não viam necessidade desse debate, pois o que aconteceu naquele tempo era só para aquele primeiro momento do cristianismo, mas outros Cardeais, em especial o Cardeal Leon Suenens insistiu no debate e foi o grande defensor do Espírito Santo durante o concílio. O Concílio terminou no ano de 1965.

Nos primeiros anos da década de 60 membros do movimento Cursilho de Cristandade começaram a experimentar coisas diferentes e estranhas, carismas, houve até quem orasse em línguas, algo inédito. Deste movimento duas pessoas se destacam, no sentido de que serão referências dentro da Renovação Carismática, são eles: Ralph Martin e Steve Clark. Eles leram dois livros de pastores evangélicos: A cruz e o punhal e Eles falam outras línguas. Estes livros relatavam a experiência do pastor David Wilkerson com jovens viciados. Dois professores da Universidade de Duquesne, que também eram do cursilho e conheciam Ralph e Steve, também começaram a ler os livros do pastor Wilkerson.

Estes dois professores perceberam que o Senhor os estava chamando para uma realidade fascinante e histórica, só não sabiam do que se tratava. Resolveram buscar conhecer e conversar com pessoas que viviam a experiência do Batismo no Espírito e os Carismas. Tomaram conhecimento de um grupo de mulheres de várias denominações evangélicas que se reuniam semanalmente para orarem e vivenciarem os carismas. Foram atrás do tal grupo, que era coordenado por uma santa e alegre senhora chamada de Flo. O senhor havia revelado ao grupo de mulheres, quando souberam da visita dos homens católicos, que elas se preparassem, jejuassem e orassem, pois algo grandioso Ele iria realizar a partir daquele encontro. A reunião transcorreu normalmente, no final quando Flo já ia terminar a oração um dos professores católicos levantou-se rapidamente, chegou junto a irmã Flo e disse: “Ó, não faça isso. Eu venho esperando há muito tempo por essa ocasião. Eu vim para receber o Batismo no Espírito Santo e não sairei daqui até que o tenha”.

Elas deram-se as mãos e começaram a orar por aqueles irmãos católicos, e relatam que podiam sentir o Espírito Santo descendo sobre eles, era uma energia tão forte que cada um que ali estava recebeu uma partícula de Deus. (PETH, 199?).

Um mês após este encontro no grupo de Flo, uma sociedade de amigos da Universidade de Duquesne, da qual participavam os professores católicos e Ralph e Steve, faria um retiro que realizavam todos os anos naquele período. O tema do retiro para aquele ano era: O Sermão da Montanha. Mas nos últimos dias os professores mudaram o tema do retiro para: Os Atos dos Apóstolos.

No primeiro dia do retiro, que aconteceu nos dias 17 a 19 de Fevereiro de 1967, eles leram os quatro primeiros capítulos dos Atos e a senhora Flo que coordenava o grupo evangélico foi quem pregou para eles, ela falou sobre a realeza de Cristo e o Batismo no Espírito Santo. No segundo dia a noite eles haviam programado uma festinha para os aniversariantes, porém algo estranho ocorreu: sem combinarem nada ou falarem, alguns, não todos, jovens sentiram o desejo de irem para a capela onde o Senhor estava presente no Santíssimo Sacramento exposto e eles relatam que iam entrando e sendo tomados de todo por uma força que os compungia o coração e os impeliam a consagrar-se ao Senhor em toda a sua vida e eram batizados no Espírito Santo, era uma atmosfera profunda da presença do Espírito de Deus.

Eles não sabiam, mas ali estava começando a grande novidade de Deus que renovaria a Igreja Católica.

Duas semanas após jovens de uma outra universidade, Notre Dame, tiveram a experiência do Batismo no Espírito Santo. E a partir daí o Senhor foi derramando seu Espírito de forma abundante em sua Amada Esposa, a Igreja. E a Renovação se espalhou por todo o mundo chegando ao Brasil em 1970, através do Pe Haroldo Hahn e Pe Sales, que realizaram vários retiros que ficaria conhecidos como Experiência de Oração. Hoje, praticamente todas as paróquias do Brasil têm grupos de oração da Renovação Carismática Católica. Porém algo que se constata e que o número de grupos que surgem é quase zero. O Espírito nos chama a um despertar e lançar-se para águas mais profundas.

Hoje devemos fazer um questionamento: Queremos que essa experiência de Pentecostes se estenda a toda a Igreja? Ou queremos e a só para nós. Você que foi batizado no Espírito Santo crê que tal batismo é necessário a todos os cristãos? Peçamos então ao Senhor que venha em nosso auxílio e nos torne cheios do seu Espírito Santo, todos nós que somos por Ele amados! Amém

APENDICE:

Segue em apêndice alguns textos que ilustra o que os Papas e outras pessoas do meio católico falaram sobre a Renovação Carismática:

Papa Paulo VI – 1973, no I Encontro Internacional com Líderes da RCC em Roma:

“Alegramo-nos convosco, queridos amigos pela renovação espiritual que se manifesta hoje em dia na Igreja, sob diferentes formas e em diversos ambientes. Certas notas comuns aparecem nesta renovação:

· O gosto por uma oração profunda, pessoal e comunitária a Deus;

· Um retorno a contemplação e uma ênfase no louvor a Deus;

· O desejo de entregar-se inteiramente a Cristo;

· Uma grande disponibilidade às inspirações do Espírito Santo;

· Uma leitura mais assídua da Bíblia;

· Um amor fraterno mais generoso.

“A Renovação Carismática é a primavera da Igreja!”

Papa João Paulo II: 2005, Roma:

“Estou convencido de que este movimento é um sinal da ação do Espírito... um componente muito importante na renovação de toda a Igreja”.

Papa Bento XVI – Quando ainda era Cardeal:

“Eu tive a alegria e a graça de ver jovens cristãos tocados pelo poder do Espírito Santo... Num tempo de cansaço no qual se fala de um “inverno da Igreja”, o Espírito Santo criou uma Nova Primavera”.

Prof. Felipe Aquino – 2008:

A Renovação Carismática não é um movimento uniforme; mas, como dizia o cardeal Suenens e diz o padre Raniero Cantalamessa, “é uma corrente de graça para toda a Igreja católica.” Ela não é um simples movimento a mais da Igreja; é a própria Igreja em movimento pelo poder do Espírito Santo. Todos os cristãos de todos os movimentos precisam ser renovados no Espírito Santo; e esta é a missão da RCC.

Oração de São Bento


São Bento de Nursia
Oração de São Bento
(pedidos de proteção contra o inimigo)

A Cruz sagrada seja minha Luz
Não seja o Dragão meu guia
Retira-te Satanas
Nunca me aconse-lhes coisas vãs
É mal o que tu me ofereces
Bebe tu mesmo do teu veneno

Rogai por nós bem aventurado São Bento
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo

Em Latim
Crux Sacra Sit Mihi Lux
Non Draco Sit Mihi Dux
Vade Retro Sátana
Nunquam Suade Mihi Vana
Sunt Mala Quae Libas
Ipse Venena Bibas

APOCALÍPSE 1ª FASE


GRUPO ÁGUA VIVA – RCC

PARÓQUIA DO SENHOR COM JESUS DOS P. AFLITOS

APOCALIPSE

(Jesus Cristo é o Senhor. Sim verdadeiramente Ele é o Senhor).

Tudo espanta nesse estranho livro: o estilo, as imagens, o aspecto catastrófico...e no entanto, é um dos livros mais lidos e comentados do Novo Testamento, sobretudo em período de crise. Como explicar este contraste? Muito simplesmente por que se pressinta, por instinto, que é uma mensagem de esperança.

Mas não se trata de uma esperança barata, desses de romance de ficção, sonhadores com um mundo melhor, levando-nos a fugir do nosso, que quer nos fazer esquecer nossas realidades e fantasiar uma situação ideal. Pelo contrário, uma esperança lúcida, fundada sobre a fidelidade de Deus, mestre do povir.

Apesar do livro trazer este nome que significa “tirar o véu”, ou seja “re-velação”, seu conteúdo se assemelha mais ao gênero profético do que do gênero apocalíptico.

Os povos da Bíblia vêm história de maneira linear: é uma história que progride e caminha para um fim. Nessa história o profeta intervém em nome de Deus: tem como missão levar seus contemporâneos a viverem plenamente o presente, sob o plano de Deus. Ele se interessa certamente pelo futuro, mas enquanto esse futuro dá sentido ao presente, enquanto sustenta a esperança dos ouvintes lembrando-lhes a finalidade de sua caminhada, o “Dia” em que Deus estabelecerá definitivamente seu Reino sobre o mundo.

Em tempos difíceis o profeta sente que não basta só as palavras de esperança, as promessas de Deus. Então supõe-se que para este crente Deus “afasta o véu” que esconde o fim, a profecia se torna apocalipse.

UM SALTADOR DE DISTÂNCIA

Como pois este autor vê o fim dos tempos? Certamente é possível que Deus lhe conceda “visões”. Mas, mesmo neste caso, não devemos pensar em algo de muito extraordinário; não é o modo habitual de Deus agir. O método do autor do apocalipse é o método do atleta de salto à distância.

Observemos o atleta: ele precisa partir de um ponto determinado: a linha de partida; para projetar-se o mais longe possível para frente. Porém para isso, ele começa por andar para trás! Recua uns 50 ou 60 metros a fim de percorrê-los a toda velocidade e, chegando à linha, saltar no mesmo sentido, impelido por seu impulso. Quando temos uma decisão importante a tomar relativamente a nosso futuro, não nos acontece o mesmo? Recordamos nosso passado, tentamos discernir os marcos de luz, momentos em que vislumbramos de modo bastante claro o que corresponde a nosso ser profundo. Relendo assim nosso passado, estes pontos luminosos talvez tracem uma determinada linha. Então, por fidelidade para conosco mesmos, arriscamos no mesmo sentido quanto ao futuro.

O autor do apocalipse é como nós: ignora o fim dos tempos. Mas está certo de uma coisa: Deus é fiel. A fim de saber o que acontecerá no fim dos tempos, tenta descobrir como Deus age atualmente. E como é preciso um certo lapso de tempo para discernir um movimento, ele percorre bem rapidamente a história passada de seu povo; procura descobrir as grandes leis do agir divino e, chegando a seu tempo, salta para a frente, projetando no fim dos tempos estas grandes leis gerais. É assim que o autor do livro de Daniel escreve por ocasião da perseguição dos anos 165-164 a.C. Para saber como essa realidade terminará, ele imagina-se está numa outra fase difícil do passado: o Exílio da Babilônia (587-538 a.C). percorre a história entre 538 e 164 para, chegando a sua época, projetar-se para a frente. Não são portanto acontecimento precisos que ele “vê”, mas de fato o modo como Deus, fiel a si mesmo, terminará a história.

E a melhor forma de dizer isso é através de imagens!

Devemos no entanto nos apoiar sobre o que as imagens e os símbolos sugerem e não de tomá-los ao pé da letra.

UMA LINGUAGEM ENIGMÁTICA

O Apocalipse de João é todo um código de imagens, especialmente:

As cores:

· Branco: vitória, pureza;

· Vermelho: assassínio, violência, sangue dos mártires;

· Preto: morte, impiedade...

Os números:

· 7 – número perfeito, a plenitude (55 vezes);

· 6 – ( 7 menos 1)= a imperfeição;

· 3 e meio ( a metade de 7)= imperfeição, sofrimento(3 vezes);

· 4 – o mundo criado (a totalidade cósmica) (12 vezes);

· 12 – o Israel, o antigo e o novo (23 vezes);

· 1000 – uma enorme quantidade

Os números podem ser multiplicados: 144.000=12x12x1.000;

· 666- é um caso a parte. É uma transposição numérica de um nome, do perseguidor dos cristãos. Uma tradição hebraica que considerava que algumas letras tinham valor numérico. Assim o nome de César Nero, em hebraico:

Q ai S a R N e R V N

100 60 200 50 200 6 50 = 666

Para que os leitores de João pudessem compreender o código deveria referir-se a um personagem não latino, mas grego (os leitores de João não falavam latim, mas grego e hebraico); e também deveria se alguém que viveu em seu passado próximo ou em seu presente. Pois era a eles que João escrevia e deveriam compreender o código. Por tanto a tentativa adventista de insinuar que o Papa seria a besta, pois em algarismo romano esse número corresponde a um antigo titulo dos bispos de Roma (VICARIUS FILII DEI), que há muito não se usa, e nem todos os papas o receberam, não tem a menor sustentação.

Se quisermos assim agir, então a doutora e grande escritora do adventismo poderia ser a besta do apocalipse: HELLEN GOVLD WHITE. Porém incorre em erro quem age desse modo. João utilizou o código, pois sabia que seus discípulos o compreendiam.

Os símbolos:

· Chifre: poder

· Cabelos brancos: eternidade (não velhice);

· Roupa comprida: frequentemente, a dignidade sacerdotal;

· Cinto de ouro: poder real.

CHAVES PARA EXPLICAR O APOCALIPSE

Existiria um método simples de interpretar este livro?

O livro pode ser comparado a um cofre-forte, com múltiplas combinações, algumas dessas chaves- embora ainda utilizadas por algumas seitas- só abrem portas falsas, e nenhuma, sozinha, consegue abrir; juntas elas têm a possibilidade de nos introduzir um pouco no segredo.

1. Os sonhos milenares: Ap 20,1-6 nos fala de um reino de mil anos dos fiéis com Cristo, antes da vitória final. Alguns ainda pensam assim, infelizmente.

Este período pode significar simplesmente o tempo entre o Cristo e a parusia.

2. O sistema da recapitulação: O livro dá a impressão de se repetir sem cessar. Se, por exemplo, tivéssemos apenas os onze primeiros capítulos, certamente pensaríamos que estivesse completo. Os acontecimentos descritos não devem ser somados uns depois dos outros, de maneira cronológica, mas são os mesmos fatos repetidos de forma diversa.

3. O sistema da história universal: Outros pensaram que João nos descrevia antecipadamente todas as grandes etapas da história humana até o fim do mundo. Baseados nesta teoria as Testemunhas de Jeová e os Adventistas anunciaram o fim do mundo para 1914 e 22 de outubro de 1844, respectivamente.

João não quer anunciar acontecimentos precisos.

4. O sistema escatológico: segundo essa hipótese, João só falaria na parusia, julgando aliás estar muito próxima.

Não podemos sustentar essa idéia (falaria de...), mas idéia geral é importante. João nos convida a decifrar o sentido da nossa história, á luz de um acontecimento passado, a ressurreição de Cristo, mas também de um acontecimento futuro, sua vinda definitiva, sua parusia.

5. O recurso da história contemporânea de João: tal corrente de pensamento, defende que o autor estava falando apenas de acontecimentos de seu tempo. A algo de muito certo nessa visão, mas não se pode reduzir a mensagem do profeta do apocalipse. É certo que ele nos apresenta em primeiro a passagem do judaísmo para o cristianismo (3 – 11) e a ruína do paganismo romano (12 – 20).

6. A análise literária: defende que João escreveu dois apocalipses ou mais, explicando-se assim as repetições.

7. O método comparativo: tenta explicar o Apocalipse, comparando seus símbolos com os que seus contemporâneos utilizavam. Mas é principalmente em relação ao AT que podemos fazer uma comparação. O livro faz em torno de 400 citações e reminiscências ao AT, principalmente Ezequiel, Daniel, Zacarias, Jeremias, Isaías, Êxodo, Salmos e outros livros. Nesse sentido o apocalipse é “uma nova leitura cristã do Antigo Testamento destinada a esclarecer toda a história da Igreja”(FEUILLET).

INTRODUÇÃO 1, 1-3

Estes três versículos formam a introdução do livro. Trata-se de uma “revelação” transmitida por Jesus Cristo e por ele próprio recebida do Pai. Vai mostrar “o que deve acontecer muito em breve”. Ou seja os acontecimentos do fim dos tempos, mas visto que este fim já aconteceu em Jesus. (Mt 4,17; Mc 1,15).

UMA IGREJA MUITO HUMANA

Nesta primeira parte o apocalipse se apresenta como uma carta dirigida a sete igrejas da Ásia Menor. São comunidades reais com uma particularidade, situavam-se na estrada imperial do correio. O número “sete”, nos adverte que através delas é também toda a Igreja universal.

TRINDADE (1,4-8)

A mensagem de João se enraíza no coração da trindade.

O Pai é apresentado por uma fórmula semelhante a do Êxodo: “IAHWEH” (3,14). “Aquele-que-é, Aquele-que-era e Aquele-que-vem”(cf 1,8 e 4,8).

O Espírito Santo é apresentado por suas sete formas, talvez uma alusão a Isaías 11. É o Espírito em sua plenitude (sete).

O Filho é apresentado mais longamente, começa por usar três expressões do Sl 89, 28.38, que eram atribuídos ao messias. Por sua morte Ele torna-se a “testemunha fiel”, por sua ressurreição o “Primogênito dos mortos”, e príncipe dos reis da terra: Ele é o “Senhor” e os imperadores devem se submeter a Ele.

Depois o autor mostra Jesus em sua obra de salvação por todos nós no “Ele nos ama”, conjugado no presente, único caso no NT. Em seguida diz que nós participamos de seu sacerdócio. Depois apresentará o Cristo como o Filho do Homem que vem entre as nuvens (Dn 7,13), também como aquele que transpassaram de Zacarias 12,10.12.

Termina com a visão do Deus “Pantocrator”, começo e fim de todas as coisas (Is 44,6).

João tem sua visão num Domingo “dominica die” (Dia do Senhor), o dia que se celebra o triunfo pascal do Cristo e o anúncio de sua volta definitiva. Isto dá ao livro um aspecto litúrgico.

Ap 1,12-17 (Dn 10,5-19; 7,9-13; Zc 4,1-14; Is 49,2;44,6;48,12)

AS CARTAS AS SETE IGREJAS (2 – 3)

As cartas seguem o mesmo esquema: nomeia a igreja. é o Cristo quem o envia mostrado por uma das imagens anteriores. Exame de consciência da igreja, virtudes e falhas, chamado a conversão. Promessa ao vencedor.

Éfeso: é uma metrópole de 250.000 hab. É a primeira cidade da província da Ásia, é solicitada a ser também a primeira na fé. Nesta cidade havia um altar dedicado ao Imperador Augusot e um templo da deusa Diana. A infidelidade dessa igreja reproduz a queda dos primeiros pais. O vencedor será nela de novo introduzido.

Esmirna: tinha nela um templo ao imperador Tibério. Também existia em seu monte a “coroa de esmirna”, um conjunto de magníficos monimentos. Cristo é que dá a verdadeira coroa da vida.

Pérgamo: o “trono de satanás” é sem dúvida referencia ao culto ao imperador, que tomou para si o título de Deus Soberano. E do Deus Esculápio, deus curandeiro. É um convite a confessar o Nome de Jesus e não do Imperador. A pedrinha branca (pureza, santidade), é possivelmente referencia ao batismo.

Tiatira: alguns cogitam que haveria em Tiatira alguma profetiza (Jezabel), que como a profetiza do AT, levava o povo eleito ao culto dos ídolos. A prostituição é uma referencia aos deuses pagãos. O premio aqui é o mesmo do Salmo 2,8.9. a estrela da manhã (sol) é o próprio Cristo.(Eucaristia?).

Sardes: esta cidade havia sido tomada de surpresa várias vezes pelos inimigos do império e o Cristo ameaça chegar como “ladrão”. Era também cidade centro da fabricação de tecidos e lã, as vestes tem todo um sentido para este povo. O nome inscrito no livro da vida(Dn 12,1).

Laodicéia: famosa por sua riqueza, suas águas termais e sua escolade medicina, onde se fabricava o unguento para os olhos. No julgamento do Cristo é pobre, cega e infeliz. A benção faz referencia ao Cântico dos Cânticos 5,2.

IMAGENS - DEUS CONDENA?

IMAGENS – DEUS CONDENA?

A veneração de imagens sagradas sempre foi um ponto de discussão entre católicos e protestantes, como também dentro da própria Igreja Católica. Mas o que o Senhor nos diz em Sua Palavra sobre imagens, ele abomina ou aprova?
A essa pergunta não podemos dar um a única resposta, pois a Palavra de Deus fala de maneira diversa sobre o uso de imagens no Templo. Num primeiro momento Deus reprova a confecção e adoração de imagens de outros deuses, Leia Êxodo 20,1-17 http://http://www.bibliacatolica.com.br/. Nos dez mandamentos Deus deixa claro sua abominação às imagens, por que isso é idolatria a outros deuses, por isso Ele diz: “EU sou um Deus ciumento”. Algo semelhante Deus fala em Isaías 46, 26.
Porém em outras passagens da Sagrada Escritura, Deus permite e até ordena a construção de imagens. A primeira vez que isso ocorre é quando Moisés está conduzindo o povo pelo deserto, logo após a saída do Egito, em um determinado momento o povo é atacado por serpentes venenosas e muitos morrem, o povo clama a Moisés que ore para Deus intervir e Deus ordena que Moisés faça uma IMAGEM de serpente de bronze para que todo o que for picado por serpente olhe para a imagem e fique curado. Esta passagem é narrada no livro do Números 21, 1-9. Outras passagens também relatam a ordem de Deus para que sejam construídas imagens de bronze e sejam feitas pinturas nas cortinas do Templo Sagrado. Por exemplo a passagem contida em: II Reis 6,23-28; 7,25-36. Aqui podemos perceber claramente a ordem de Deus à Salomão quando este vai construir o Templo do Senhor. São diversas as imagens: ARCANJOS, BOIS, LEÕES, (HOMENS?).
Diante de tudo isso nos perguntamos: afinal Deus proíbe ou permite a construção de imagens?
Podemos perceber, pelo que lemos, que Deus tanto proíbe como permite a construção e o uso de imagens. Mas quando, em que situações ou condições Deus proíbe ou permite a construção de imagens?
Um ponto que é comum em todas as passagens em que Deus proíbe o uso de imagens é a relação que Ele faz ao culto a outros deuses, falsos deuses, pois Ele diz que é o único Deus verdadeiro e que é um Deus ciumento. Então podemos concluir que o que Deus proíbe é fazer imagens de outros deuses e prostrar-se em adoração diante delas, isso é abominável ao Senhor. Por tanto adorar imagem é condenável por parte de Deus e todos os seus servos devem abominar tais coisas. Mesmo a imagem de um santo ou do próprio Jesus não pode ser adorada, apenas venerada, admirada e podem servir de instrumento para a oração e a contemplação, neste sentido os ícones têm um significado bem mais espiritual do que nossas tradicionais imagens.
Nas passagens em que Deus permite e ordena a construção de imagens fica claro que Ele quer através delas realizar uma obra, fazer representar sua majestade através da arte do homem, dom de Deus que nos faz encantar. É importante que quando Deus manda fazer a serpente e as pessoas são curadas através dela, não é a serpente que cura, mas Deus; ela é apenas um instrumento. Também os querubins da arca, não são os querubins que a guardam, mas o Próprio Javé, os querubins são um símbolo do Sagrado. É assim que devemos cultuar as imagens, não como um fim em si mesmas, mas como aquilo que são: imagem, que representam alguém que dedicou sua vida a Deus (Maria e os santos), o Próprio Senhor Jesus, o Espírito Santo, A Trindade.
Uma outra passagem muito interessante, no novo testamento, sobre as imagens é quando Paulo está na cidade de Atenas, Grécia, e se depara com várias imagens que representavam os deuses gregos, entre todas aquelas imagens havia uma diferente era a “imagem ao Deus desconhecido”, Paulo usa dessa imagem para evangelizar os atenienses, é interessante que Paulo não tem uma atitude de total repúdio às imagens, mas se vale de uma delas para representar o Único e Verdadeiro Deus e converter os habitantes daquela cidade. A primeira vista não parece ter grande importância para nossa reflexão essa passagem, porém se analisarmos bem ela trás uma luz esclarecedora. Pelo motivo de que se Paulo fosse totalmente contra o uso de imagens ele nunca teria usado uma imagem para dizer que representava o Deus Verdadeiro: JAVÉ. Em quem ele confiava e ao qual tinha entregado sua vida. Essa não estranheza de Paulo com certeza se devia ao fato de que no Templo de Jerusalém, onde Paulo e os discípulos iam todos os sábados para orar, havia as imagens dos querubins, dos touros, dos leões, de plantas, etc.
Então podemos concluir que podemos ter imagens, mas o que não podemos é adorá-las, prostrarmo-nos diante delas, pois só a Deus devemos adorar e prestar culto de adoração.
Nós católicos não adoramos imagens, mesmo alguns católicos às vezes confundirem-se no culto de imagens, por ignorância e exagero devocional.
As imagens são apenas objetos sagrados, devemos apenas admirá-las, podemos sim orar diante delas e deixar que elas nos inspirem, mas nunca nos ajoelharmos diante delas, ou pensarmos que elas têm poder, assim como também qualquer outro objeto religioso, como o terço, o escapulário, o ostensório, são coisas santas porque estão benzidas e devem ser respeitadas por isso.
JESUS CRISTO É O SENHOR, VERDADEIRAMENTE!


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